CONSCIÊNCIA COLETIVA

O que achamos: A lei da Noite (2017)

em Cinema/O que achamos por

Review

Nota de Cezar
6/10
Média
6.0/10

Ben Affleck dá uma pausa nos apetrechos de Batman, e se volta para um gênero que produziu no cinema Hollywoodiano obras de extrema qualidade, que são os filmes sobre gangsters, ou, sendo mais genérico, sobre a máfia. Alçado a grande cineasta, depois do Oscar que ganhou com Argo (2012, recomendo), um thriller muito bom, espera-se que os filmes feitos por ele alcancem a mesma qualidade deste último.

O seu novo filme, baseado em um livro de Dennis Lehane, narra a história de Joe Coughlin, filho de um chefe de polícia que luta na primeira guerra, e que por causa de experiência traumáticas vividas nela, retorna para casa disposto a não mais ser capacho de ninguém e viver de acordo com suas próprias regras. Esse pensamento é ilustrado algumas vezes numa frase dita pelo personagem: “parti como um soldado e volto como um fora da lei”. E para executar essa filosofia de vida, Coughlin decide não se aliar a nenhumas das máfias ali estabelecidas – neste caso, irlandesa e italiana – para seguir seu próprio curso, realizando roubos a bancos com seus parceiros. Porém alguns eventos irão levá-lo a cometer alguns deslizes nessa jornada de crimes.

Em um desses equívocos, ele decide, motivado pela vingança, quebrar seu próprio código de conduta e se alia à máfia italiana. O objetivo é montar um estratagema que o levará à fortuna e fará com que ganhe o respeito dos seus novos pares. Para tal, ele deixa a cidade de Boston, na qual acontece os primeiros momentos de sua carreira como fora da lei, e parte para Tampa, Florida, onde ascende dentro da estrutura criminosa de forma bem criativa. A partir dessa virada, começamos a perceber que o diretor, o próprio Ben Affleck, começa a se perder, a mudar drasticamente os personagens envolvidos na trama até aquele momento, sem muita habilidade. Saem os europeus e entram os latinos. Sai o frio de Boston e entra o calor da Florida. Temos aqui uma virada muito brusca, que prejudica de forma catártica a narrativa e diminui a qualidade do roteiro.

Começam a ser introduzidos personagens que acrescentam muito pouco à trama, bem como situações que deixam a plateia pouco estimulada. Isso ocorre porque tentam mostrar, sem muita naturalidade, que o personagem não é aquele gangster tradicional, que resolve tudo na bala. Esses momentos acabam deixando de lado a motivação principal do filme, que é o conflito de Joe com as clássicas regras dos mafiosos.

Esse é o tipo de filme que tinha um enorme potencial, poderia ser muito maior.

Um ponto forte do filme são as cenas de ação. A direção de Affleck é muito competente nesses momentos, com sequências violentas, tensas e muito bem executadas, seja ela uma perseguição de carros ou um acerto de contas repleto de balas e muitas mortes. Quanto a atuação, ele comete um pequeno deslize ao construir seu personagem com aquela cara fechada e aquele olhar para o infinito, como se estivesse vivendo em seu próprio mundo. Isso funcionou muito bem em O Contador (2016, muito recomendado), em Argo e também no seu Batman, mas para viver um gangster que tem a pretensão de ser diferente de seus pares, falta aquele toque de empatia com o público.  Os outros personagens parecem levados de uma forma semelhante, meio despretensiosa, sem deixar marcas, e olha que temos Zoe Saldana, Brendan Gleeson, Sienna Miller e Elle Fanning, entre outros, que pareciam querer entregar na gravação apenas o que estava no script, nada mais.

Isto posto, temos um filme um tanto quanto confuso no seu objetivo. Qual história Ben Affleck quis contar? Em que ponto ele queria chegar? Temos um erro de adaptação? Para responder essas perguntas, o final do filme acaba sendo arrastado. Parece que terminaram a edição e perceberam que faltavam explicar algumas coisas. Então após o conflito final, surgem algumas cenas mostrando o “novo” fim para alguns personagens. Uma dessas, por sinal, até que é muito bonita, filmada na praia. Esse é o tipo de filme que tinha um enorme potencial, poderia ser muito maior, mas a tentativa de nos colocar dentro da cabeça de um personagem pouco convincente, faz a ideia fracassar parcialmente. Que o Ben acerte na próxima!  Bom filme.

Cézar é economista de formação e fã de quadrinhos por opção. Escreve e participa de vídeos e podcasts sobre cinema e Hqs. É fã ardoroso de Batman, Neil Gaiman, Edgar Alan Poe, Morrissey e Nina Simone. Publica reviews de filme mensalmente | Para segui-lo no Face: /cezar.vasconcelos.1

  • Everaldo

    Isso deve ser uma cagada, vi a nota no IMDb, lamentável.

  • Felipe Delgado

    Que tristeza ver esse ator fracassando.

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