CONSCIÊNCIA COLETIVA

O que achamos: A Cidade Onde Envelheço

em Cinema/O que achamos por

Review

Nota de Gabriel
10/10
Média
10.0/10

A incorporação do sentimento de mudança nunca esteve tão bem representada. O longa dirigido por Marília Rocha que venceu o festival de Brasília tem como base um roteiro construído em cima de um ponto que apesar de no início parecer congruente, acaba trazendo um conflito interessantíssimo: duas imigrantes portuguesas que vieram ao Brasil.

Francisca é construída como uma mulher mais velha, que está aqui por mais tempo, e conhece as “regras do jogo”. Demonstra um forte desapego, não se prende ao trabalho, nem sequer ao namorado. Parece estar sempre incomodada com o que está acontecendo, apesar de demonstrar um certo afeto com Teresa.

Teresa por sua vez representa aqui a juventude, está sempre interessada por experiências novas, quer conhecer pessoas, lugares e experimentar novas sensações, deprime-se ao saber que pode não ser correspondida em um princípio de relacionamento, e afirma inclusive que nunca vai envelhecer.

Os grandes momentos do filme se dão quando as duas se encontram no pequeno apartamento que dividem. Aqui a diretora explora as cameras fechadas, os personagens são muitas vezes mal enquadrados, e a sensação que transpõe é claustrofóbica demais. Tudo isso reforça o ambiente que aparentemente é pesado devido ao conflito entre as duas. Existem também belas cenas em que o diálogo das duas, somado as atuações maravilhosas nos levam a ponta da cadeira, como se um barril de pólvora estivesse prestes a explodir.

Por fim o filme nos mostra o quanto esse conflito é inevitável e importante, as duas acabam na verdade fazendo parte uma da outra, como se Francisca precisasse de Teresa e vice versa. Assim como nós, que precisamos estar sempre em contato, e respeitando as outras gerações.


Trailer Oficial

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