CONSCIÊNCIA COLETIVA

LGBTTIs não nascem adultos, mas “morrem” crianças

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O que mais precisa ser noticiado sobre as pessoas LGBTTIs para que a sociedade brasileira assuma um debate não hipócrita acerca das violências que cometemos com elas desde crianças? O que é mais revoltante é que as primeiras castrações sofremos dentro de casa. É no seio da nossa família “comercial de margarina” onde começamos a entender que somos as “aberrações” e que seria melhor para todo mundo não termos nascido.

Em muitos casos, soma-se a isto, o fato de sermos obrigados(as) a entender que ser como somos não agrada a Deus. Tem crime maior que dizer a uma criança que ela, sendo quem ela é, desagrada a uma entidade toda poderosa que todos querem agradar?! Vamos arrumando o cenário do crime que cometeremos pouco a pouco. Cada personagem vai vestindo o figurino que melhor lhe aprouver. Tem quem prefira a omissão, tem o inquisidor, o insinuante, o abusador. Todos(as) vão dando, cada um do seu jeito, o golpe para que mais a frente alguém o faça de um jeito mortal.

Diante dessa realidade, muitos questionamentos surgem que se não respondermos rapidamente, mais gente vai continuar morrendo. Qual a postura da escola frente a essas violências? Por que insistimos em não falar sobre? Porque não nos incomodamos quando nossas tias sem noção fazem comentários maldosos, nossos cunhados machistas soltam indiretas o tempo todo? Não dá mais para fingir que os parentes LGBTTIs não existem! Eles existem. Têm gostos que diferem dos da maioria e daí? Terão direito a brincar livremente na escola, na rua, no beco da favela, na sala de casa ou no playground do prédio mais luxuoso. Eles precisarão aparecer nas novelas séries, filmes, desenhos animados ainda que estes não tratem exclusivamente dessa temática. Os LGBTTIs não nascem adultos! Representatividade é importante.


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Quantas crianças mendigam abraços fraternos, parceiros para brincadeiras sem o tolhimento que as empurram para o suicídio diário? Mas se ainda assim, essas crianças sobreviverem e chegarem à adolescência, mais incrível ainda, chegarem à fase adulta, muitas vezes nós mesmos os LGBTTIs nos encarregaremos de trancafia-los em caixas padronizadoras e o resultado disso é sempre muito trágico.

Muitos de nós somos corresponsáveis pelos golpes que os muitos Lozanos levaram das mães em suas casas e dos estranhos nas ruas. É bem verdade que temos contado com dedicação de pessoas ilustres, artistas e políticos, além de líderes de movimentos sociais e coletivos em favor da vida mais livre para todos(as). Mas penso que as pessoas anônimas necessitam se posicionar com mais veemência contra as violências. Elas precisam assumir posturas de respeito à diversidade. Desde a não alimentação de piadinhas e fofocas na rua de casa até a não omissão diante das violências física e simbólica nos lugares públicos. Quem comete esse tipo de ação, o faz porque sabe que terá plateia ou pelo menos, silêncio diante de seus atos covardes. Não podemos mais ficar trancados(as) no quarto fingindo que dormimos ou que não estamos ouvindo os gritos de socorro que vêm do cômodo vizinho.

Estamos falando de vidas humanas e seria maravilhosamente coerente se tivéssemos dos movimentos religiosos que tanto defendem a vida, desde a sua concepção, o apoio na luta contra as violências cometidas e alimentadas pela LGBTTFOBIA. É importante que os profissionais que lidam com o público como policiais, seguranças, médicos(as), enfermeiros(as), professores(as), garis, artistas de uma forma geral, assistentes sociais, psicólogos(as), e tantos outros profissionais atentem para o fato de que todos têm direito à liberdade. Temos o sagrado direito de viver plenamente.

Não cabem mais silêncios! Precisamos gritar ainda que seja essa a nossa única arma. Sempre poderemos fazer algo por alguém. Uma sociedade mais justa não cairá do céu. Ela será construída com ações humanas concretas. Defendo que a construção de um mundo melhor para todos(as) passa pela compreensão de que ninguém é igual a ninguém a não ser nas diferenças. Acredito mesmo que ler mais poderia contribuir para nosso processo de humanização e dele surgirá pessoas mais tolerantes, mais amáveis e, sobretudo mais lúcidas. Num estado de lucidez mães não matarão seus filhos por serem gays e a sociedade não a ajudará nos golpes que foram deferidos na pobre vítima.

E você, qual o seu papel na construção de uma sociedade mais justa?

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