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O que achamos: Resident Evil 6: O Capítulo Final

em Cinema/O que achamos por

Review

Nota de Weslley
6/10
Média
6.0/10

Primeiramente, começo este texto baseado na premissa de que Resident Evil, franquia cinematográfica – baseada no jogo de videogame homônimo e mais conhecido como Bio Hazard no Japão, tem entre seus méritos ser uma das séries de filmes pioneiras ou pelo menos mais ventiladas, no que se refere ao gênero híbrido: película de terror, ficção científica e ação adaptada; apesar da falta de fidelidade ao material de que se origina (defendida em especial pelos fãs do game).

Outro ponto importante da franquia nas telonas – sua salvação, até certo ponto, e ao mesmo tempo seu ‘Deus Ex-Machina’ às avessas, já que neste sentido não resolve todos os problemas da trama – , é a presença de uma protagonista feminina forte, interpretada de maneira convincente pela bela Milla Jovovich. Esposa do diretor das adaptações de Resident Evil no cinema, Paul W.S. Anderson (que também já dirigiu Mortal Kombat), Milla é a pedra angular da saga, que chega, esta semana, ao seu, aparentemente, último episódio nos cinemas.

Apesar de ter tido arrecadação superior aos dois filmes anteriores da saga, Resident Evil: Recomeço (2010) e Resident Evil: Retribuição (2012), somente na sua semana de estreia no Japão (última de 2016), este novo Resident Evil: Capítulo Final (2017) peca ao dar um final pouco decente, ou, para ser mais preciso, preguiçoso à trama, iniciada em 2002, com Resident Evil: O hóspede maldito.

Mesmo tendo demorado mais tempo para chegar às salas de exibição – cinco anos distanciam a estreia do último filme deste, o que se explica também pelo fato de Jovovich ter engravidado do seu segundo filho após o quinto episódio da saga – , Capítulo Final tem apenas uma narrativa razoável. Ainda que amarre a trajetória do personagem ícone da franquia, e nos entregue boas cenas de luta – algumas até que ficam devendo pouco às coreografias do balé Bolshoi ou mesmo às de Deborah Colker (como a que a protagonista Alice fica suspensa num viaduto), a estrutura do filme se esfacela, uma vez que aposta em diálogos pobres, repetitivos, que soam como ‘déjà vu’ de outras estreias da saga e ainda de outros filmes do gênero.


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No entanto, se no roteiro o próprio Paul W.S. Anderson é capaz de aplanar sua obra, seja por meio de uma pobreza nos diálogos ou no que se refere à sua incapacidade de tornar convincente a inserção, reaparecimento e desaparecimento de personagens, principalmente no que tange a membros consagrados da saga como Whesker, Ada, Gil, Claire, Chris e Leon – ; ou ainda pela inclusão de temas de última hora,  como a religião (desnecessário a esta altura da trama, mas também mal-executado – apesar do relativo esforço do ator Iain Glen – o Jorah Mormont de Game of Thrones), é ponto alto do filme a sua trilha sonora. Este elemento realça não só as cenas de perseguição e de luta, mas em especial é capaz de nos provocar bons sustos, por meio da construção de uma atmosfera de silêncio – proporcionada também pelo uso de planos mais fechados, cortes rápidos e uma fotografia que investe quase sempre em tons frios – , quebrada pelo surgimento de ameaças biológicas no decorrer da narrativa. Experiência assustadora esta intensificada quando se assiste ao filme numa sala IMAX, vale ressaltar.

No meio cinematográfico, há quem diga que o uso de flashbacks deve ser feito, quando não é possível explicar determinado fato essencial à trama por meio de diálogos, por exemplo, e que, quando mal utilizado, o recurso se transmuta em ‘breguice’ ou, no mínimo em algo desnecessário. É exatamente isso que ocorre em alguns momentos de Resident Evil: Capítulo Final. Os flashbacks surgem, na maioria das vezes, mais como elemento de nostalgia do que algo realmente relevante para a história, nos apresentando poucas coisas novas (previsíveis até certo ponto) e realmente essenciais para o entendimento do que está por vir na projeção.

Em tempo, os rumores do enredo, vazado há alguns meses, sobre a trama se confirmam em grande parte na tela – o que de certo modo frustra as expectativas de quem esperava mais deste último capítulo de uma das sagas mais citadas na cultura pop e responsáveis por abrir portas para toda uma leva de atrações baseadas numa estética, por assim dizer, ‘zumbi-apocalíptica’, na qual estão inseridos sucessos como The Walking Dead. Esta última produção, por sinal, mais plural de significações, dramaticidade e temas do que o próprio Resident Evil.

Ainda fazendo um paralelo com outras produções, RE 6 traz à tona a questão da humanização de elementos inumanos e, em contrapartida, da bestificação dos seres humanos – algo retratado de forma bem superior em atrações como a icônica série da HBO, Westworld.

Assim, por esses e outros aspectos – que levariam mais tempo do que o de alguns parágrafos para serem problematizados – , Resident Evil: The Last Chapter se configura como um filme razoável, que pode garantir um bom divertimento, mas que, enquanto um capítulo final de uma saga com mais de uma década de existência, se constitui em um filme isolado, semelhante a spin offs de grandes franquias, ou mesmo produções de ficção científica mais despretensiosas.

 

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Um aspirante à família Martell, que enlouqueceu o Chapéu Seletor com sua determinação de ir pra Sonserina. Adora uma problematização, afinal raiva leva ao lado sombrio! Integrante do Conselho Anallógicxs, faz jus ao seu meistrado na Cidadela com suas divagações de Bergman à performance Madonnística.

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