CONSCIÊNCIA COLETIVA

O que achamos: Desventuras em Série (Netflix)

em Séries/TV e Séries por

Review

Nota de Gabriel
8/10
Média
8.0/10

Desventuras em série é a segunda tentativa de adaptação da franquia que fez sucesso como livro. Em 2004 um projeto foi iniciado, e por mais que tenha engajado diversas celebridade (Jim Carrey, Maryl Streep) não conseguiu sustentar uma sequência, muito devido ao tom infantil e exagerado de suas tramas e personagens.

Tentando aprender com isso, a série criada pela NETFLIX se propõe a apresentar um universo mais coerente, sombrio e melancólico, como os livros se propõem a ser. O primeiro resultado disso é uma linguagem bem funcional, que não tenta dar um ar de maestria, mas cria um padrão que é seguido pela temporada inteira. Temos a repetição de alguns planos característicos dos filmes anteriores que conseguiam transmitir com precisão o sentimento de união dos gêmeos por exemplo.

A ambientação também exagera menos e acerta mais, os cenários são muito bem escolhidos, e retratam a mensagem que deve ser passada. Os figurinos também são primorosos, principalmente no que concerne ao Conde Olaf (Neal Patrick Harris), que embora menos performático, consegue ser mais eficiente quando se disfarça de outro personagem. Apesar de apresentar uma ótima estética, é perceptível uma artificialidade, os cenários por exemplo tiveram que em alguns momentos ser finalizados através de cartelas, que são facilmente identificadas. As cenas de ação da bebê Sunny são feitas em sua maioria em CGI, que é bem notável durante a série. É necessário um acréscimo de orçamento nessa área da produção.

Deixando de lado a parte técnica, temos uma série que se propõe a trabalhar melhor cada livro, já que uma grande crítica ao filme é que se fez uma adaptação de 3 livros em 120 minutos, e apresentou-se uma história rasa demais para engajar o público. Na série da Netflix, procurou-se transformar a obra audiovisual no produto mais próximo à literal. Os livros são adaptados em 2 episódios cada, logo de início podemos ver por exemplo a capitulação, e as dedicatórias, que são partes caprichosas da obra de Daniel Handler.

A trama se pauta em uma metalinguagem, em que o escritor Lemony Snticer (Patrick Warburton) narra a saga dos órfãos Baudelaire, seu objeto de pesquisa. A forma como foi criada a interação do autor com o contexto da obra foi genial, suas aparições por meio de movimentos de câmera só acrescentam magia à obra. O problema do roteiro, e o mais grave da obra, é a quantidade de diálogos e situações desnecessárias. Percebe-se que houve um receio de que a obra repetisse o mesmo destino do filme, e desejou-se trabalhar em excesso a personificação de cada tutor. Isso resultou em uma história longa que que por vezes perde o ritmo, induzindo o espectador a perda de foco.

Desventuras em série é um produto audacioso. Nascido de uma obra que pretendia quebrar os padrões de seu gênero à época, ainda lhe falta achar o tempo narrativo correto, bem como sanar todos os seus problemas de orçamento. Apesar disso, vale o tempo gasto, e promete para sua segunda temporada, já confirmada.

 

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