CONSCIÊNCIA COLETIVA

Os joguinhos como estratégia de conquista

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As pessoas parecem ter esquecido a máxima que diz “quem quer arruma um jeito, quem não quer arruma desculpa”. Hoje em dia, se tratando de conquistas, a estratégia mais usada é um troço chamado joguinho. Quem faz o joguinho da sedução parte do paradoxo de que é interessante demonstrar desinteresse. A reflexão aqui abre espaço pra gente pensar um pouco sobre o modo como nos posicionamos no momento em que nos predispomos a conhecer alguém, como lidamos com nossas relações e como nos enxergamos nesse processo.

Não ligar no dia seguinte ou esperar duas horas para visualizar e mais outras duas para responder a mensagem enviada pelo crush, na visão dos jogadores, despertará no outro ainda mais interesse. Se for, por exemplo, um convite para sair, a resposta vem, propositalmente, assim: “amanhã não dá, tenho um compromisso”. O mistério, nesse caso, é essencial para deixar o outro durante horas fantasiando o que seria esse tal compromisso: “será que já conheceu outra pessoa? Será que não está mais a fim? Ou será que…”. Enquanto isso o jogador, na verdade, está em casa fazendo vários nadas. Mas a estratégia é quase infalível. O jogo está praticamente ganho. Funciona mesmo pra muita gente.


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Às vezes o joguinho é feito para deixar intencionalmente o crush em banho-maria, expressão que coloquialmente é usada para um estágio do jogo da conquista em que a sensação da expectativa nunca é plenamente satisfeita. Isso acontece principalmente quando os jogadores de plantão estão mantendo contato com outra pessoa, mas não sabem se aquilo vai evoluir, daí mantêm seu contato, curtem uma ou outra postagem sua para lembrar que estão por ali por perto, atiçam vontades e expectativas que vão se transformando em momentos gastos em espera e frustrações.

Pior que, no fundo no fundo, todo mundo sabe que o jogo está sendo jogado, mas é necessário ir até o fim, não se pode perder, até porque, para os adeptos do jogo, mostrar de cara que está disponível e a fim de algum lance é sinal de desespero. Aí você permite a demora, permite ser cozinhado, permite ser apenas um prêmio de consolação. Eu, que não tenho muita paciência pra joguinhos, certamente já fui tachado de desesperado algumas vezes.

Uma conquista que começa com tantas estratégias perde a transparência nas relações. Abre-se mão da liberdade de realmente fazer aquilo que se tem vontade, privando-se, talvez, do melhor da paquera. Aquela sensação de desconfiança não passa e os desavisados não percebem que o jogo continua.

Definitivamente, assim como a musa inspiradora Inês Brasil, não rola fazer um jogo comigo. Joguinhos implicam demora, são bem cansativos. Uma vez eu tentei jogar, mas não entendi muito bem as regras e o objetivo do jogo, me distraí no meio do caminho e perdi. Mas olha, foi bom perder. Pra mim o interesse deve vir sempre acompanhado de entrega, de disponibilidade, do mínimo de esforço para que as coisas aconteçam. Quem não tem paciência pra joguinhos telefona quando está com vontade, convida pra sair, se declara se estiver a fim. Está disposto a conhecer e experimentar. Assim… bem simples. E nada disso tem a ver com desespero, mas sim com transparência, com lealdade, com vontades e quereres.

Aperte o play, antes do game over.

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