CONSCIÊNCIA COLETIVA

Sense8 quer te desejar um feliz Natal

em Séries/TV e Séries por

Review

Nota de Gabriel
6/10
Média
6.0/10

Natal. Presente. Fartura. Época de confraternização, mas também dos queridíssimos Especiais de Natal. Sense8, que apesar de questionada foi uma série bastante querida por seus fãs (junto a Stranger Things, são séries que levaram várias pessoas a se envolver emocionalmente com seus personagens, talvez as Originais Netflix que mais fizeram isso), trouxe uma proposta que se assemelha mais a “um presente” que Lana Wachowski e o elenco queriam dar aos fãs.

Confesso que a duração (mais de 120 mins) do episódio de cara me assustou, com um tempo quase de um filme o espectador espera que dali saiam tramas e estruturas de roteiro mais semelhantes a um longa (apresentação, desenvolvimento de conflito, resolução…). Porém, ao término a sensação recorrente a quem assiste é a de uma conversa com aquele velho amigo, algo típico do Natal, quando, motivados por uma confraternização universal, encontramos muitas pessoas, algumas inclusive que alimentamos apenas um encontro anual: o do Natal. Nesses encontros o papo flui, a conversa voa, e o tempo passa voando, as duas horas parecem 15 minutos, e ao término percebemos o quanto aquilo nos fazia falta.

Percebendo a premissa do episódio podemos adentrar nas análises. A começar pelo roteiro, podemos perceber uma escrita pautada em três datas: aniversário dos personagens, Natal e Ano Novo. São esses três pontos que guiam a trama, sendo o resto construído para que se apresentem as consequências ali. Aliás, “consequências” é talvez a palavra que mais resume a trama desse especial, aqui tudo é construído para demonstrar o que aconteceu, e no que resultou a primeira temporada de Sense8: a intimidade de Lito sendo exposta, Nomi vivendo como fugitiva, Wolfgang lidando com a “guerra” que provocou… E assim se constrói o episódio: consequências, exacerbação delas, resolução em clima festivo.

Tecnicamente é também um prato cheio. As irmãs Wachowski, apesar de possuírem uma carreira conturbada, com muitos filmes odiados pela crítica, possuem um talento nato e inegável para a direção. Matrix, talvez a obra mais importante dentro de suas filmografias, revolucionou ao apresentar por exemplo o Bullet-time (que diga-se de passagem virou uma marca da dupla), demonstrando assim seu preparo técnico. Nesta volta a Sense8, Lana (que assina a direção) tem um trabalho de câmera que apesar de não ser inovador, é preciso, com até alguns bons takes como as cenas com o Mr. Whispers, que são bem detalhistas e sombrias.

Sense8, que tem previsão de uma segunda temporada para maio, voltou neste Natal, não com pretensões do desenvolvimento de uma nova história, mas com o desejo de reunir os Senses e seus amigos (os fãs da série), para um brinde, para uma conversa, para uma dança, ao som de Nina Simone, voando como os pássaros, brilhando como o Sol, dançando como a brisa.

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