CONSCIÊNCIA COLETIVA

As coisas simples podem fissurar o mundo caótico?

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E aí, vamos de coisas simples?

Começo este escrito dizendo que não tenho a pretensão de julgar quem decidiu viver tranquilamente no caos contemporâneo ou quem vive reclamando dele. Não compete a mim, fazer os julgamentos. Penso mesmo que a ninguém mais do que quem os vive. Escolhi um caminho diferente. Quero falar das coisas simples que podem funcionar como fissuras. (Claro que ao escolher um caminho assumo uma postura, um lado, um partido. Tenho tudo contra a neutralidade!)

Tenho 32 anos, mas vivi toda minha infância no interior do estado de Pernambuco e na zona Rural. Isso me deu o direito de vivenciar coisas que muitos(as) da minha geração não viveram. Talvez por esse motivo tenha mais saudades das coisas simples e tranquilas que meus/minhas colegas. Assumo também que sempre fui do tipo romântico, daquele que ao ouvir uma música cria um cenário com a pessoa amada. Há algum pecado nisso? Se houver, sou um pecador assumido e peco “com gosto de gás”. (Expressão comum no local onde vivi quando criança e adolescente).

Sempre achei muito bacana receber cartas. AH! Poder receber cartas e respondê-las é de uma poesia incrível. E se for carta do tipo tempo antigo, com direito a envelope e alguém passar na sua casa e dizer: olha, fui aos correios e tem uma carta para você. Recebi poucas cartas. Nunca uma de amor, ou pelo menos não de um amor eros. Nesse caso tenho saudades do que não vivi. Penso que ao ler uma carta de amor nos tornamos seres angelicais. Fernando Pessoa poeticamente diz que: “Todas as cartas de amor são ridículas. Não seriam cartas de amor se não fossem ridículas”. Acho que precisamos viver mais ridicularmente.


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Continuando nas coisas simples, outro exemplo é ter o direito a uma boa conversa e livres gargalhadas à mesa após as refeições. Não precisa ser todo dia, mas sempre que houver uma oportunidade. Caminhar sentindo a paisagem, conversando com a gente mesmo se aparecer uma fruta fresca que acabou de cair, então, maravilha! Podemos trazer essa simplicidade para as relações amorosas.  Com os filhos, poder dormir todo mundo na casa dos pais, ou armar uma barraca improvisada com lençol na sala… Tem coisa melhor que ir a algum lugar só para tomar um sorvete com os filhos? Você está ali com e para o(a) outro(a). Com os(as) amigos(as) também é o mesmo passo, estar entre amigos sem a necessidade do uso de filtros sociais ou mentiras econômicas. Se a gente consegue vivenciar a simplicidade na relação a dois, é fantástico!

Gente, eu adoro ouvir música deitado no chão à meia luz. Se alguém gosta ou quiser experimentar, recomendo sem contra indicação. Se o(a) parceiro(a) curte e decide ficar encostadinho sentindo a respiração um(a) do outro(a) é quase um manjar dos Deuses para alma. A gente fica leve e leve é mais fácil viver. (Para alguns). Mesmo no corre- corre do cotidiano que nos paralisa mais que mobiliza, é possível aproveitar o lado simples da vida de um jeito todo seu ou da forma que todo mundo faz.  A fôrma quem faz é você! Está se sentindo sufocado? Vá catar coquinhos, pedras, flores ou até mangas que caem deliciosamente doces! Pode ser literalmente uma saída.

Bem a gente poderia trazer uma longa lista de coisas simples, mas ficaria um tanto prescritivo. Citei algumas que gosto e acho bem possível de realizar e aí espero que a gente dialogue. Esse é o tipo de texto que carece de diálogo sem isso fica inacabado. Faltando uma parte. Vou esperar que você leitor(a) me complete com seus comentários e ou narrações da sua forma de viver a simplicidade. Beijo com gosto de doce de caju no pote coletivo. ( Uma colherada para cada um/a).

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