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O que achamos: Anjos da Noite: guerras de sangue

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Review

Nota de Diogo
6/10
Média
6.0/10

Após um hiato de quatro anos, chega às telonas o quinto filme da saga Anjos da Noite. Com o subtítulo Guerras de Sangue, a produção retoma o conflito entre vampiros versus lycans e a batalha de Selene contra os dois clãs. A heroína novamente é caçada pelas duas raças e tem a difícil missão de salvar a própria vida e a da filha.

Com quatro filmes no currículo, Anjos da Noite é uma franquia irregular que aborda um tema bem conhecido da sétima arte, a luta entre vampiros e lobisomens. O primeiro longa estreou em 2003 com orçamento de 22 milhões e arrecadou quase 100 milhões no mundo inteiro. Os números expressivos se repetiram nas demais sequências e garantiram a produção de novas histórias da saga.

Em Guerras de Sangue, Selene (Kate Beckinsale) continua sendo perseguida por vampiros e lycans. Desta vez, os clãs querem saber o paradeiro da filha dela com Michael (Scott Speedman). A garota é o primeiro híbrido “puro sangue” entre as duas raças e guarda consigo um incrível poder herdado dos pais. Nessa empreitada, Selene conta com a ajuda do vampiro David (Theo James). Os dois descobrem várias traições e são envolvidos nos jogos de poder entre as duas facções. A dupla tenta lidar com as revelações em meio a essa caçada.

Para quem acompanha a saga desde o início, esse plot não tem nenhuma novidade. É uma roupa nova inspirada no molde antigo. Nos primeiros minutos de exibição, Selene relembra a história apresentada nos filmes anteriores e prepara o espectador para os novos acontecimentos. O que era para ser o trunfo do enredo é seu maior problema. As novidades não empolgam e a história fica presa em episódios do passado.

Na tentativa de dinamizar a história, o roteirista Cory Goodman insere um novo núcleo de vampiros nórdicos. Eles são mais selvagens, praticantes de rituais transcendentais e integram um clã mais distante da linhagem dominante. Outra participação importante na trama é a da vampira Semira (Lara Pulver) que catalisa algumas reviravoltas no enredo. Também aparecem novos lycans, mas não são muito diferentes dos já vistos antes. Ao inserir esses personagens, é visível a preocupação do escritor em deixar gatilhos narrativos para as próximas sequências.

Outra brecha do roteiro é que o principal objeto da disputa entre vampiros e lobisomens, a filha de Selene, tem uma participação coadjuvante, para não dizer inexpressiva na história. Difícil aceitar que alguém com tanto poder precise ser tão tutelada pela mãe.

Mesmo com esse deslize, é interessante perceber o perfil de outras personagens femininas apresentadas no longa. Selene e Samira são mulheres fortes, destemidas e não estão à sombra do poderio masculino. São vampiras imponentes e fiéis aos seus ideais. Ter mulheres protagonizando as principais tramas é um grande feito da saga. Por outro lado, as raras lycans apresentadas na história quase não têm fala e são totalmente esquecidas pelo enredo.

Merece destaque a vitalidade de Kate Beckinsale. Ela continua incrivelmente linda e está presente em praticamente todas as cenas de ação. A atriz mostra que tem fôlego para protagonizar várias outras sequências. Depois de um tempo sem grandes papéis, Kate agradou a crítica no filme Amor & Amizade (2016) e atrai novamente os holofotes em Anjos da Noite.

Ainda falando sobre as mulheres, Guerras de Sangue marca a estreia de uma diretora feminina na saga. Anna Foerster explora a já conhecida fotografia sombria com muitas sequências de ação. Mesmo assim, os efeitos especiais não justificam o uso do 3D. Não haverá grandes perdas se o filme for visto sem o recurso.

Anjos da Noite: guerras de sangue tem todos os ingredientes para estourar nas bilheterias. Com forte apelo comercial, a produção vai conquistar boa parte do público, principalmente quem gosta de filmes que mesclam ação e horror. Os fãs da saga podem se sentir decepcionados por esperar um roteiro mais engenhoso. Por hora, vale a pena seguir o conselho que Samira fornece ao vampiro Varga: “não pense, você pode se ferir”. Então, a dica é curtir o filme de boa, sem grandes problematizações, deixe isso para o conselho de anciãos.

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