CONSCIÊNCIA COLETIVA

Fome (2016), um filme que nos ajuda a pensar sobre os caminhos que a vida impõe.

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Os limites entre documentário e ficção, apesar de serem bem distantes, hoje em dia são quebrados com facilidade. Desde cine-biorafias que adotam esse estilo para conferir autenticidade, até filmes de terror que utilizam o valor do real para intensificar o clima de horror proposto pelo gênero. Quando somos postos diante de mais um caso desse (FOME), a expectativa é de uma construção de narrativa semelhante, o que só acrescenta ao valor da surpresa que o filme entrega.

O filme se propõe a contar a saga de “Malbou”, um morador de rua que perambula pela cidade junto a seu carrinho de compras. A primeira coisa que chama atenção na execução dessa proposta é a habilidade da direção em tornar a câmera leve, com movimentos sutis, que junto a uma fotografia em tons de cinza-quase perfeita esteticamente falando-nos brinda com mais de uma hora de cenas que parecem um poema visual.

A parte do documentário, se inicia com uma jovem que entrevista moradores de rua. A intenção do seu trabalho é mostrar que as ruas de São Paulo são uma espécie de outro universo, que tem suas regras particulares e paralelas à sociedade em que vivemos. FOME entretanto não entra nessa determinação, a obra vai muito além de somente mostrar as ruas, ela explora pessoas, a forma como são vistas, como são tratadas e as relações de poder dentro da sociedade brasileira.

“Malbou”, o fio condutor do longa é um dos entrevistados, porém, ele desperta na estudante um sentimento peculiar, sua entrevista é diferente dos demais, ele de fato queria estar ali. Esse ponto dá uma nova cara à trama, induz o espectador a também buscar os motivos pelo qual ele se encontra naquela situação. Algo que alguns minutos depois é mostrado em um diálogo com um ex-aluno do velho.

O encontro se dá em uma praça. Lá descobrimos que há algum tempo ele era um renomado professor universitário de Cinema. Seu gênio parecia ser de um homem arrogante, que criticava o modo como as pessoas se comportavam. A saída então é rua, para onde ele foi para se livrar de todo o comportamento, que a seu ver era imoral e hipócrita.

A jornada se encerra com reencontro de Malbou com o amor: ele dança, se diverte, e segue jornada pela vida, empurrando seu carrinho de supermercado, carregando sua bagagem para longe do peso imposto pela sociedade que induz regras de como viver. Tal qual nós, que vamos levando o nosso carrinho de forma pesada pelos caminhos que a vida nos impõe.

Direção: Cristiano Burlan
Ano: 2016
Gênero: Drama/Documentário
País: Brasil

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