CONSCIÊNCIA COLETIVA

O dia em que morremos com Guilherme, 20 anos.

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* Este texto é carregado de tristeza.

Dia desses, um jovem goiano, Guilherme, 20 anos, foi perseguido e assassinado pelo próprio pai por desavenças político-ideológicas. O pai, em seguida, debruçado sobre o corpo do filho, pôs fim à própria vida. Assim, desse jeito.

Estarrecedora por si só, a história foi sendo cercada pela presença de posicionamentos nefastos, que revelam um lado obscuro dos nossos dias. A história que estamos vendo ser escrita carece de elementos de humanidade que muitos de nós esquecemos onde achar. Surtamos um pouco a cada dia, diante de nossas angústias diárias e cobranças que nem mesmo imaginamos em que darão.

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No Brasil dos últimos tempos, a já tão falada polarização de ideologias parece ter sido uma via de escape para os mais torpes argumentos povoarem o nosso dia a dia. Em determinada medida, parece que humanizar-se se tornou característica de determinado grupo, com determinado posicionamento político. Temos esquecido do que somos, acima de tudo. Nos perguntamos, ainda, o que seremos?

O reflexo dessa esquizofrenia coletiva vemos em cada “menos um esquerdopata no mundo” ou “o pai não aguentou ver o filho se transformar num vândalo com ideias marxistas”. “Seleção natural” é uma sombra assustadora da nossa realidade, diante dos nossos olhos, e muitos de nós estão cegos de coração. O conceito de Darwin diz respeito à evolução das espécies, não à nossa regressão mental. É triste cavarmos nossa própria cova, enquanto ferimos os dedos uns dos outros, pisamos nas mãos uns dos outros, sem perceber que, no fim, sairemos todos sujos de terra, prontos para sermos jogados na vala.

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Tudo isso vem acompanhado de uma dose forte de intolerância e desrespeito à vida humana, já que culpar quem sofre pela própria agonia tem sido a regra para algumas mentes que povoam as caixas de comentários das muitas plataformas de divulgação e compartilhamento de notícias. Enlouquecemos coletivamente. Cegamos coletivamente, como bem previu Saramago?

Caminharemos mesmo em direção a um abismo, vendados, enquanto sequer choramos a morte de nossos Guilhermes?

Naquele dia morremos com Guilherme; alguns de nós nem perceberam.

Triste sermos quem somos, nos dias de hoje.

É do signo de incerteza com ascendente em tardes chuvosas. Às vezes escreve umas coisas.

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