CONSCIÊNCIA COLETIVA

O que achamos: Doutor Estranho, o melhor filme visualmente falando da Marvel

em Cinema/O que achamos por

Review

Nota de Cezar
10/10
Média
10.0/10

Chega aos cinemas mais um produto do Universo Marvel, apresentando ao grande público um dos personagens mais emblemáticos e, me perdoem o trocadilho, estranhos de todo o seu panteão: O Doutor Estranho.

Criado nos anos sessenta por Stan Lee e Steve Ditko, embalados pela lisergia que ocorria durante o momento, o personagem era a representação do aumento da percepção que se buscava na época. Para isso ele transitava por outras dimensões e enfrentava vilões bem fora dos padrões dos quadrinhos, seres poderosos de mundos místicos que almejavam o controle de nosso pequeno planeta.

Visualmente falando, Steve Ditko nos presenteava com cenários multicoloridos e caleidoscópicos, que representavam graficamente as dimensões e mundos místicos que falei anteriormente, feitos de modo magistral pelo artista. O texto de Stan Lee complementava essa arte com nomes e encantos bastante criativos. Isso tudo somado, deu ao Doutor Estranho características muito particulares e também o título de Mago Supremo das Artes Místicas. Essas bases foram ampliadas por outros autores desde então.

Dito isso, vamos ao filme, que tem o desafio de traduzir muitos desses conceitos para uma plateia que foi toda moldada dentro de um formato que também é muito particular (a, hoje, muito citada, Fórmula Marvel), construído a partir de 2008, com universo expandido interligado, muito humor e com resultados financeiros grandiosos, e que periodicamente traz para o cinema seus personagens.

A primeira coisa a se dizer é que Steve Ditko deve estar feliz pela visual que os realizadores nos apresentaram. Esse é o ponto alto (e muito alto) do filme. Os embates místicos são extraordinários, com efeitos especiais muito bem feitos, em alguns casos, com muita psicodélica e lisergia. Em alguns momentos, me parecia estar vendo em três dimensões o que Ditko representou em duas dimensões com seus desenhos. Esse é um trabalho em que o 3D ajuda, e muito, a contar a estória. Um detalhe interessante, ainda sobre esse lado psicodélico, é que num momento do filme, começa a tocar Interstellar Overdrive, do Pink Floyd, um dos maiores representantes, na música, desses movimentos, fazendo com que nossa experiência no filme fosse completa.

Os atores que fazem parte desse filme, normalmente entregam atuações boas, e aqui não é diferente, mas chamo a atenção para Tilda Swinton como A Anciã. Quando foi anunciado que O Ancião seria uma mulher houve um barulho grande por causa da mudança de gênero, mas isso logo foi abafado quando dito que a mulher em questão seria Tilda Swinton. Ela entrega uma atuação que é magistral, ainda que não apareça o tempo todo.

Benedict Cumberbatch ainda não me apresentou uma atuação ruim, e ele sobe muito no meu conceito, pois já tinha sido Khan, em Jornada nas Estrelas, empresta sua voz para Smaug, n’O Hobbit, e agora é o Dr. Estranho, só isso. Ele tem uma química boa com Chiwetel Ejiofor, o futuro Barão Mordo. Mads Mikkelsen também sempre é legal de ser visto, mas, como parte daquela fórmula Marvel que eu citei, o vilão não tem o espaço que merece.

O filme vai contar a origem do personagem, que de cirurgião famoso e arrogante, ao sofrer um acidente, começa uma jornada de autodescoberta e estudos para se encontrar e perceber seu lugar no mundo. Essa era a premissa que Lee e Ditko usaram para montá-lo. Porem, neste caso, temos vários mundos, de várias dimensões, e para alcançar seus objetivos serão necessários alguns sacrifícios.

Com tudo isso, temos um grande filme desse Universo Marvel Cinematográfico, que começa a flertar com tons mais sérios e um formato um pouco diferente do que foi apresentado até então, mas que peca por ter de se adequar a sua plateia e aos resultados (financeiros) que se esperam dessas empreitadas. Não que isso comprometa o filme, mas fica como uma espécie de amarra que não permite que a experiência seja total. Algumas piadas foram fora de hora e de contexto, mas elas fazem parte da fórmula anteriormente citada.

O saldo de tudo é que, mesmo com esses detalhes que citei, o filme é muito bom, e não fica comprometido no seu resultado final. Saí da sala de cinema satisfeito com o que vi, e devo confessar a vocês que eu, como um fã que leu as HQs do Dr. Estranho ao longo da vida, eu estava bastante apreensivo sobre o quanto essa fórmula iria influenciar o filme. Recomendo.

Bom divertimento e até a próxima

Abraços

Cézar é economista de formação e fã de quadrinhos por opção. Escreve e participa de vídeos e podcasts sobre cinema e Hqs. É fã ardoroso de Batman, Neil Gaiman, Edgar Alan Poe, Morrissey e Nina Simone. Publica reviews de filme mensalmente | Para segui-lo no Face: /cezar.vasconcelos.1

  • Hell

    ❤❤

  • Hugo Santoné

    Bem previsível esse filme

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