CONSCIÊNCIA COLETIVA

Joanne e o Pop a ser salvo

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Se você tem alguma rede social já deve ter ouvido algo sobre a necessidade de salvar o pop. Rihanna e Beyoncé falharam nessa missão, segundo o público, ao lançarem cds mais intimistas e com outras pegadas rítmicas. Após o anúncio surpresa do lançamento de Perfect Illusion, a missão de salvar o pop caiu nos ombros e vocais de Lady Gaga.

Com o lançamento do single, uma surpresa, rock n’roll. Com produção de Mark Ronson, Bloodpop e Kevin Parker, do Tame Impala, a música, assim como seu clipe, veio com a sonoridade de guitarras, baixo e bateria para desagrado majoritário da nação pop, incluindo muitos little monsters. Na sequência tivemos a liberação da capa do cd e com ela mais desagrados. O busto da cantora com um chapéu rosa e claras inspirações country deixaram as esperanças de um retorno ao pop totalmente.

capa-disco

queremos mais do mesmo ou queremos que nossos artistas preferidos nos surpreendam?

Esse é o panorama e a pergunta que eu faço é: queremos mais do mesmo ou queremos que nossos artistas preferidos nos surpreendam? Hoje Joanne, quinto disco em estúdio de Lady Gaga, chegou oficialmente até nós. Como esperado, a sonoridade das músicas é eclética, temos o rock de Perfect Illusion, o country em Sinner’s Prayer, o jazz de Come to Mama, o pop em John Wayne e algo que eu só posso designar como “eletrobrega sensação” em Dancin’ In Circles. Há, ainda, as músicas feitas apenas para nos tocar em nosso íntimo, Joanne e Million Reason, assim como, a esperada – e ótima – parceira com Florence Welch em Hey Girl.

Esse ecletismo traz para Joanne uma sequência de músicas boas, mas que algumas vezes parecem não dialogar entre si. Algumas músicas parecem perdidas, talvez ainda descubramos um reordenamento das músicas que torne o cd mais fluído.

O fato é que Lady Gaga não deu aos fãs, ou ao mundo da música, o que eles queriam. Ela ofertou uma surpresa, uma renovação artística. Em recente entrevista ela disse que “fazer um álbum sobre rebolar a bunda na boate seria vazio e superficial” e mais “Quando lancei Just Dance, não havia nada igual no rádio, assim como Bad Romance, Born This Way, Applause e Perfect Illusion. Minha necessidade é de fazer música, e não de ser famosa. É diferente”.

Gaga com seu Joanne agora, assim como, Rihanna com ANTi e Beyoncé em Lemonade, aponta para nós um novo movimento. Temos artistas consagradas inovando internamente e oferecendo ao seu público, não o que eles querem, mas o que elas acham que devem mostrar. Podemos dizer que estamos vivenciando um momento extremamente autoral dessas artistas e sendo agraciados com músicas que nos tiram de nosso ensurdecimento pop.

Que fique o aprendizado de que música não resume a farofas esquecíveis substituídas em looping nas rádios, boates e nossos celulares. Quanto ao pop, ele não precisa ser salvo, em minha opinião. Talvez necessite apenas de um descanso. Para os incansáveis crentes nele, esperemos por notícias de Katy Perry. Quem sabe!?

 

Bruno é psicólogo e pesquisador sobre gênero e sexualidade. Escreve sobre cinema e séries, é apaixonado por Nicole Kidman e Lady Gaga. Publica reviews de filme mensalmente | Para segui-lo no Instagram: @BruRobson.

  • Felipe Y

    Esse disco não é tudo que dizem, mas é melhor q muita coisa lançada esse ano.

  • Gustavo Andrade

    Lady Gaga continua forçada, essa coisa de assumir uma personagem é muito madonna, não cola.

  • Gustavo Andrade

    é rock ou é sertanejo? ou é pop

  • Daniel Lima

    que disco chato

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