CONSCIÊNCIA COLETIVA

Batwoman e a crescente representatividade LGBT nas HQs

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Não tem sido fácil ser fã da DC Comics nos últimos anos: só este ano, tivemos que lidar com as produções decepcionantes tanto no cinema quanto na TV, inclusive a forma equivocada/objetificada como as mulheres foram representadas no filme Esquadrão Suicida e até o fato absurdo da editora ainda manter entre os seus empregados um assediador, mesmo após a chuva de denúncias feitas por várias ex-funcionárias.

Ainda assim, existe um elemento da editora que merece elogio, reconhecimento e nos dá uma pontada de esperança: a DC Entertainment tem trabalhado cada vez mais para inserir personagens LGBT nas suas produções: seja elas histórias em quadrinhos, séries animadas para TV e até filmes. Apenas há algumas semanas, tivemos o atual roteirista da revista da Mulher-Maravilha, Greg Rucka, falando abertamente sobre a sexualidade queer da personagem e das outras amazonas da Ilha Paraíso, além das primeiras imagens da vindoura, HQ do casal gay Meia-Noite e Apolo e do anúncio não só do retorno do título solo da Batwoman ano que vem como da websérie animada estrelando um personagem gay.

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Então, vamos começar por aquela que esteve no topo, caiu, e promete voltar ao lugar a qual merece…

  • A Lacradora Batwoman

A Batwoman Kate Kane foi estabelecida como uma personagem lésbica em 2006 na série 52, tornando-se uma das mais importantes personagens LGBT da DC. É também bastante justo creditar a ela esse ressurgimento LGBT dentro da editora. Apesar da editora ter inseriodo outros personagens gays e lésbicas, que estrelavam ou coestrelavam histórias em quadrinhos, como a policial Renee Montoya na premiada “Meia Vida”, publicada dentro de Gotham Central (lançada no Brasil ano passado em Gotham DPGC: No Cumprimento do Dever), foi só com Os Novos 52 que vimos uma personagem LGBT protagonizando uma revista solo na DC Comics. Assim, Batwoman se tornou a primeira publicação mensal protagonizada por uma heroína lésbica!

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Em Batwoman, acompanhamos a história da Kate Kane, uma heroína determinada que havia transformado sua experiência traumática do passado em energia para salvar aqueles que mais precisavam – afinal em Gotham City, nunca falta alguém que precise de ajuda – ao mesmo tempo acompanhávamos e torcíamos por seu conturbado romance com a policial Maggie Sawyer.

Foram dois anos de alegria, até a DC acabar com a festa em 2013. Apesar de por muito tempo ter sido considerada uma das melhores HQs lançadas entre 2011 e 2013, os artistas responsáveis pelo trabalho, J.H. Williams e W. Haden Blackman, deixaram os fãs devastados quando anunciaram que estavam deixando o título porque a DC estava fazendo-os mudar os rumos de suas histórias com frequência e ainda proibiu o casamento de Kate Kane com sua noiva, Maggie Sawyer. A razão estúpida dada pela DC foi que nenhum dos seus heróis poderia casar, porque isso seria uma espécie de final feliz, o que supostamente nenhum deles devia ter.

A decisão gerou uma imensa revolta entre os fãs e a editora foi alvo de inúmeras críticas, tanto de leitores (as) quanto de críticos. A decisão editorial também acabou custando à DC uma de suas melhores publicações na época, uma vez que não só viu uma queda de qualidade devastadora nas histórias subsequentes, como também uma queda nas vendas que resultou no eventual cancelamento do título ano passado.

Enquanto sumida do Universo DC principal, Kate Kane encontrou uma nova chance de ser a heroína que ela merecia nas páginas da webcomic DC Comics Bombshells. No universo que dá vida a popular série de estátuas colecionáveis da DC, o mundo tem poderosas heroínas na linha de frente dos conflitos da Segunda Guerra Mundial. Logo na primeira edição, a Batwoman de Kate Kane é introduzida e parece feliz em um relacionamento ao lado da sua parceira, Maggie Sawyer.

Este ano, a personagem também coestrelou o filme animado Batman: Sangue Ruim ao lado de outros membros da Batfamília. Um grande mérito do filme foi também lidar abertamente com a sexualidade de Kate, mostrando-a tentando iniciar um relacionamento com Renee Montoya (que fora a primeira grande namorada da personagem nas HQs). Com o evento editorial deste ano, Rebirth, a personagem fez um retorno muito digno ao Universo DC ao lado de Batman e outros heróis em Detective Comics.

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Há também uma chance da personagem aparecer na segunda temporada do seriado Supergirl, o que seria muito legal, uma vez que Maggie Sawyer já teve sua estreia confirmada. Porém nenhuma notícia é mais empolgante do que a do retorno da personagem a seu título solo confirmado para o ano que vem. Uma das razões para aumentar nossa empolgação é que a nova revista estará nas mãos de Marguerite Bennett, escritora abertamente LGBT, que também é responsável pelos roteiros de DC Comics Bombshells.

Se a DC pôde tirar uma lição de sua mancada de não deixar que os fãs vissem o esperado casamento entre Kate e Maggie se concretizar, foi: que não só queremos mais personagens LGBT recebendo seu devido destaque, como também queremos vê-los vencendo e sendo felizes ao lado das pessoas que amam, especialmente as lésbicas!

Logo no começo deste ano, a morte de uma personagem lésbica em The 100 levou a uma revolta generalizada por conta do grande número de personagens lésbicas que são mortas em seriados todos os anos. Só até abril deste ano, 10 lésbicas haviam sido mortas em séries americanas! Portanto, a DC precisa sim dar a Batwoman e a Maggie Sawyer, a felicidade e as vitórias que elas merecem, e que essa história impulsione o surgimento de muitas outras. E a Marvel já fez seu movimento anunciando que ano que vem também publicará uma HQ solo da Miss America: uma Jovem Vingadora latina, que também é lésbica! Mal podemos esperar.

Professor de inglês, DCnauta, Nintendista e aspirante a Mestre Pokémon, gosto de usar minhas horas vagas para ver seriados, ler HQs, jogar, escrever e, claro, problematizar.

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