CONSCIÊNCIA COLETIVA

Batman, 30 anos do Cavaleiro das Trevas : Crescendo com a Arte

em HQ/Nerd por

Com 10 anos de idade, eu não poderia compreender todas as questões políticas e filosóficas que aquele quadrinho apresentava, mas podia me deliciar com o desenho inspirado de Frank Miller (muito importante para o texto todo) e a arte-final de Klaus Janson (nada menos que excepcional) e as cores de Lynn Varley, que davam uma vida especial ao que os dois desenhavam. Essa arte saltava das páginas e explodia minha cabeça, toda vez que eu a lia. Era um prazer ficar passando as páginas e vendo Batman com toda aquela imponência que o personagem merece.

A imagem acima é umas das mais bonitas que eu achava na primeira série. Era a capa do terceiro volume. Ela mostra Batman saltando, sem amarras, com uma Robin que foi introduzida nessa série. Percebam os contrastes entre o colorido do uniforme da Robin, mostrando toda a potencialidade, e por que não dizer, ingenuidade da juventude, com os tons de azul, cinza e preto de um Batman envelhecido e com as cicatrizes das batalhas travadas e as dores das perdas tidas ao longo dessas batalhas. Essa é uma imagem muito icônica. Como outras que teremos aqui.

Como eu disse anteriormente, com meus 10 anos de idade eu literalmente “viajava” nessas coisas. Nesse momento a arte do gibi era o ponto forte para chamar a minha atenção. Mas outras coisas também me saltavam aos olhos.

No desenrolar da trama, vemos o derradeiro conflito de Batman e seu nêmesis, o Coringa, de uma forma tão alucinante, que parecem essas sequências de filmes de ação que temos hoje em dia, porém, acontecendo, ao mesmo tempo, no papel e na minha mente. Talvez por isso eu não tenha muito apreço por palhaços e parques de diversões.

Então chegamos ao ápice da história: Batman um inimigo político do sistema e questionando todo o status quo instaurado, tem que ser parado de qualquer jeito. Quem vai pará-lo? O escoteiro azulão. Super-Homem, como eu o conhecia, virou uma marionete do governo, e trabalha em missões secretas que defendem o ponto de vista do governo americano.

bat2

Temos, assim, o confronto de Titãs digno que qualquer parábola bíblica ou fábula greco-romana, de proporções épicas. Ressaltada pela arte de Frank Miller-Klaus Janson, e, nesse momento, pelo texto extraordinário que Frank Miller fez. Nome que nunca me saiu da cabeça desde que li pela primeira vez essa hq.

Esta página me emociona até hoje. Batman derrotando um deus, mostrando que um “Homem” pode fazer o que quiser. Que não deve temer seus inimigos, que pode ser mais do que sua simples existência, que pode fazer tudo.

Ele mostra ao ser mais poderoso do universo DC, quem é que manda (já deve ter ficado claro que eu sou fã doente do homem-morcego), e a genialidade que se segue a essa página, é incrível. Não vou dizer mais para causar uma curiosidade em nossos leitores.

bat3

Vejam como uma história em quadrinhos pode ser revolucionária. E olha que eu nem entrei em outros méritos que existem nela, que é para o texto não ficar muito extenso.

Com o passar do tempo, e também como resultado da abertura das “portas da percepção”, que me ocorreu com a leitura de histórias em quadrinhos, passei a ler filosofia, política, história, sociologia e várias outras ciências que fazem parte do aprendizado humano, até que cheguei ao grau superior e me formei em Economia. E é aí que a coisa começa a ficar mais interessante.

Toda vez que eu precisava arrumar os meus gibis, eu parava em Cavaleiro das Trevas e a relia. E toda vez eu era surpreendido com alguma novidade que a história tinha. Na verdade, sempre esteve lá, mas eu começava a percebê-las, ao passo que eu compreendia melhor o mundo em que vivemos, fruto do desenvolvimento intelectual pelo qual eu passava. Isso é extraordinário! Poucas obras de arte conseguem isso.

bat4

Para finalizar, há dois anos, na primeira CCXP – Comic Con Experience, Cavaleiro das Trevas me proporcionou mais uma emoção. Tive o prazer de conhecer Klaus Janson, arte-finalista, dessa obra-prima. Imaginem a emoção de conhecer o cara que arte-finalizou a obra que você venera. Eu voltei aos meus 10 anos de idade, feliz da vida, parecia que eu estava comprando o gibi pela primeira vez. Consegui o seu autógrafo na minha edição de luxo.

Achando pouco, ano passado, Frank Miller em pessoa estava na segunda edição da CCXP. O cara que me proporcionou vários momentos de prazer, com essa história e algumas outras excepcionais, que fazem dele o mito que ele é, estava ao meu alcance. Enfrentei uma fila de nove horas pra conseguir o seu autógrafo na mesma edição que Klaus Janson assinara um ano antes. O nível de emoção foi para a estratosfera. Voltei aos meus 10 anos de idade e quando peguei a edição assinada, não tinha palavras para descrever minha felicidade. Não tenho agora. Me emocionei naquele dia e me emociono agora, escrevendo esse texto.

Talvez lágrimas de alegria e prazer possa traduzir melhor essa emoção do que palavras. Vida longa ao Cavaleiro das Trevas! Vida longa a Frank Miller! Vida longa a Klaus Janson! Obrigado aos quadrinhos, por tudo!!!

P.S.: Olha a foto do autógrafo :

bat5

Cézar é economista de formação e fã de quadrinhos por opção. Escreve e participa de vídeos e podcasts sobre cinema e Hqs. É fã ardoroso de Batman, Neil Gaiman, Edgar Alan Poe, Morrissey e Nina Simone. Publica reviews de filme mensalmente | Para segui-lo no Face: /cezar.vasconcelos.1

Último post de HQ

Ir para o Topo
Pular para a barra de ferramentas